Leopoldo JereissatiFala Man

4 set 2026 · 2 min de leitura · Jornal da Cidade

A Vida é Mágica

Ondas elétricas, quando encontram campos magnéticos, formam aquilo que chamamos de luz. Prótons, nêutrons e elétrons, juntos, formam átomos. Átomos formam moléculas, células, tecidos, órgãos. E assim, de forma muito simplificada, chegamos até nós.

Somos feitos da mesma matéria que está nas estrelas, nas pedras, nas árvores. E dependemos da luz para praticamente tudo que vive por aqui.

Talvez sejamos, de algum jeito, filhos da luz.

E ela é estranha.

A luz se comporta como onda e também como partícula. Em alguns experimentos, quando tentamos descobrir por qual caminho ela passou, seu comportamento muda. Não porque saiba que estamos olhando, mas porque observar, no mundo quântico, significa interagir.

E isso já é mágico o suficiente. Talvez exista aí uma provocação para a vida: será que observar alguma coisa sem interferir nela é realmente possível?

Será que a galera que abraça árvore está tão doida assim? Ou somos nós que perdemos alguma sensibilidade no caminho?

O Ocidente ficou extraordinariamente bom em explicar o mundo. Diante de um arco íris, falamos de refração, reflexão e dispersão da luz. Mas explicar uma coisa não significa necessariamente experimentá-la.

Talvez seja aí que o Oriente tenha algo a nos lembrar. Nem tudo precisa virar conceito, produtividade, fotografia, postagem ou explicação.

Às vezes, basta estar. Uma criança não precisa conhecer óptica para correr quando vê um arco íris. Nem astronomia para ficar hipnotizada olhando as estrelas. Ela simplesmente vive aquilo.

Depois crescemos, aprendemos a explicar tudo e, sem perceber, podemos desaprender a nos maravilhar.

A ciência não tira a magia da vida. Pelo contrário. Quanto mais entendemos, mais extraordinário parece estarmos aqui.

Talvez o segredo seja não precisar escolher. Entender a refração e, ainda assim, parar diante do arco íris. Como teria dito Albert Einstein: “Há duas maneiras de viver a vida: uma é como se nada fosse um milagre. A outra é como se tudo fosse um milagre.” Eu prefiro a segunda. A vida é mágica.

Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1614 — 04/09/2026, p. 2. Ver a edição (PDF). Também no canal do WhatsApp.