Leopoldo JereissatiFala Man

31 jul 2026 · 2 min de leitura · Jornal da Cidade

O Preço de Querer Tudo

Outro dia ouvi uma definição de estresse do Naval Ravikant que me fez pensar mais do que muita teoria complicada.

Ele diz que estresse acontece quando carregamos dois desejos conflitantes ao mesmo tempo.

Parece simples, mas basta prestar atenção no dia para perceber quantas vezes fazemos isso.

Queremos passar mais tempo com os filhos, mas também queremos responder todas as mensagens do trabalho antes de dormir.

Queremos construir uma empresa extraordinária, mas sem abrir mão da tranquilidade.

Queremos cuidar da saúde, mas não queremos abrir mão dos prazeres que sabemos que fazem mal.

Queremos agradar as pessoas e, ao mesmo tempo, sermos completamente fiéis ao que pensamos e protegermos os mais próximos.

Não é exatamente o excesso de coisas para fazer que nos esgota. É tentar viver, ao mesmo tempo, duas versões da vida que disputam o mesmo espaço.

O Naval propõe algo que parece óbvio, mas raramente fazemos.

A primeira opção é escolher. Aceitar conscientemente um dos caminhos e, junto com ele, aceitar que o outro ficará para trás. Toda escolha tem um custo. O problema é que normalmente queremos os benefícios dos dois lados sem pagar o preço de nenhum.

A segunda opção me chamou ainda mais atenção. É simplesmente reconhecer que aquele conflito existe, mas decidir que ele não precisa ser resolvido agora. Dar um nome ao que está acontecendo e dizer para si mesmo: "eu sei que isso está aqui, mas vou lidar com isso depois".

É curioso como só esse reconhecimento já muda alguma coisa. O conflito deixa de ficar girando em círculos dentro da cabeça e passa a ocupar um lugar concreto. Ele continua existindo, mas deixa de consumir energia o tempo todo.

Desde que ouvi essa ideia, comecei a fazer um exercício simples. Sempre que me percebo mais ansioso, em vez de perguntar o que está errado, tento descobrir quais são os dois desejos que estão brigando dentro de mim.

Na maioria das vezes a resposta aparece rápido.

E, quando aparece, quase sempre percebo que tenho apenas duas alternativas: escolher um deles ou aceitar que ainda não é hora de decidir.

As duas costumam trazer mais paz do que continuar tentando viver as duas vidas ao mesmo tempo.

Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1609 — 31/07/2026, p. 2. Ver a edição (PDF). Também no canal do WhatsApp.