Tão perto, tão longe (II)
Tem algo especial em ver um pai dançando com a filha de quinze anos.
Na pista, eles se olham como quem diz: "Foi lindo até aqui. Agora, vamos juntos para o próximo capítulo?" — a vida adulta.
A música rola, o passo é ensaiado, mas os pensamentos... esses voam.
Passam cenas inteiras pela cabeça: sorrisos, broncas, abraços, o orgulho, o amor sem medida que envolve educar um filho.
A gente olha para a debutante, vê aquele sorriso emocionado — e os olhos enchem d'água.
Entre irmãos, o que a gente presencia é puro cuidado e cumplicidade de verdade.
Se eu já fico todo bobo vendo meus pequenos começando a brincar juntos, imagina vê-los grandes, unidos de um jeito que palavras nem alcançam.
A mãe, rainha absoluta.
Sorrindo, dançando, cantando, usando o mesmo vestido de onze anos atrás, no aniversário de quinze da filha mais velha. Um vestido, mil sentimentos.
Aquela preocupação generosa que só mãe tem: querer dar tudo de melhor para todos os seus.
Organizar uma festa dessas? Trabalheira, claro.
Mas momentos assim, em que família e amigos se juntam para celebrar a vida, não têm preço.
E eu me sinto num lugar raro e precioso:
Filho pequeno em casa, sobrinha debutando, irmãos passando dos cinquenta, pais chegando aos setenta e oitenta... e uma avó beirando os cem.
As belezas, os desafios e as dores — físicas e emocionais — de cada etapa...
Tudo isso é o que faz a vida ser vida.
Um brinde a tudo isso.
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1545 — 02/05/2025, p. 2. Ver a edição (PDF).
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