Leopoldo JereissatiFala Man

3 jun 2021 · 5 min de leitura · Medium

É Campeão

O São Paulo é Campeão Paulista de 2021.

Não sei se você sabe, mas há quase 9 anos, o São Paulo comemorava seu último título. Eu estava lá no Morumbi aquele dia; feliz pelo São Paulo e mais ainda por estar com meu sobrinho no estádio — confesso que passei metade do tempo olhando para ele, para sua alegria e ansiedade de ver seu time vencer aquela final. Com 9 anos de idade, ao lado do seu pai, vez em outra ele virava o pescocinho para conferir se eu ainda estava ali sentado algumas cadeiras para trás. Aquele dia tinha tudo para ser divertido mas foi estranho para caramba.

12/12/2012 — “Após confusão, árbitro encerra jogo, e São Paulo conquista Sul-Americana”: Argentinos acusam PM de ameaçá-los com armas de fogo no vestiário e se recusam a voltar para o gramado. Diante disso, arbitragem encerra a partida.

Por causa de uma confusão no vestiário entre Argentinos e Brasileiros, o time deles não voltou para o jogo, não teve o segundo tempo e aquele gostoso grito de “É CAMPEÃO” saiu meio engasgado, cheio de dúvidas se a gente poderia gritar ou não, se teria um novo jogo ou não. Enfim, foi bem sem graça para quem comemorara tanta coisa legal antes — Libertadores, Mundiais, Brasileiros e Estaduais. Nove anos para quem tem 50 é tempo pra caramba, imagina então 9 anos para quem tinha 9, era simplesmente uma vida toda! Assim passaram-se os anos, de 2012 até 2021 sem nenhuma conquista e com um vexame no Campeonato Brasileiro ano passado que escorreu pelas mãos nas últimas rodadas.

Imagino a frustração da criançada São Paulina de não conseguir comemorar e passar pela experiência de ser campeão na escola, a zoeira que não deveria ser para eles nunca terem visto seu time vencer, a tristeza para os torcedores mais fanáticos que não conseguiam ver em seus filhos o mesmo brilho no olho e vontade de torcer que eles tinham e seguir com aquela mesma paixão esperada. A boa notícia é tudo isso acabou e até o Muricy chorou!

Houve uma época em que o SPFC desdenhava dessa taça:

“ — Não tem porque disputarmos esse Paulistinha (sic) com força total. É um campeonato menor e que não nos interessa mais.” Frase de um vice-presidente de futebol do São Paulo em 2008.

Curiosamente, chegamos contra um time que andou “ganhando tudo” em 2020/21, o Palmeiras. Atualmente com a hegemonia similar a que já vivemos, olhem só a semelhança, o time também desdenha o Estadual:

“Presidente do Palmeiras não vai à reunião do Paulista: — Campeonato pequeno”.

Já vi esse filme… É o começo do fim.

Esse Paulistinha virou “Nossa Copa Do Mundo”. O time colocou toda potência e foco que tinha para chegar na final e chegou. Outra vez com Argentinos, só que agora comandando o tricolor com seu técnico Hernán Crespo e sua comissão.

A chegada de Crespo e o que ele representou em tão pouco tempo é um reflexo da carência que temos atualmente no país. Bons exemplos de liderança e de ser humano para além da entrega técnica. Sereno, com muito respeito, o Argentino se deu ao trabalho de aprender a nossa língua para, com dificuldade, começar a tentar responder a insana sequência de coletivas de imprensa que a agenda impôs. Sempre consistente em seu discurso, nunca nos prometeu nada além de identidade. Uma forma clara do time jogar, do torcedor saber o que podia esperar quando seu time fosse ao campo. Girando praticamente todo o elenco a sua disposição, o time realmente não perdia suas características principais independentemente de quem jogasse.

Na final, com jogos de ida e de volta, no dia do primeiro jogo estávamos juntos novamente eu e meu sobrinho, dessa vez aqui em casa pela pandemia, e 9 anos depois ele me apresentando a namorada. Fizemos uma rodada de hambúrgueres, demos muita risada juntos, matamos a saudades e a fome. 0x0 no Palestra Itália, ou Allianz Parque. Um bom placar para nós. No jogo da volta a expectativa era enorme e o medo de não dar certo mais uma vez era uma constante na cabeça do torcedor. Faltavam 3 minutos para acabar, o placar mostrava 2x0 para o SPFC mas meus olhos não conseguiam enxergar. Coração na boca, eu só pensava: que horas que eles vão fazer 2 gols em 2 minutos, levar a disputa para os pênaltis e postergar nossa alegria mais uma vez?!?! A essa altura eu já não tinha mas voz, tinha me esgoelado na sacada do prédio com os dois gols: o primeiro com uma dose de sorte ou do acaso, do prêmio que a vida dá para aqueles que se arriscam. O segundo, de um dos craques do time, com sorriso no rosto e garra que há muito tempo não via nos jogadores — finalmente tínhamos “mais sede de vencer do que angústia de perder” segundo Casa Grande; pelo menos no campo! De longe nosso time não estava a altura do adversário, mas aí que a frase mãe, o propósito da liderança do Crespo, fazia o maior sentido:

Foi no sufoco e com o coração que nos sagramos campeões! Ser campeão levanta a auto-estima. Abre uma janela para que se possa extravasar tudo o que fica entalado do trabalho, do dia a dia, é uma massagem enorme no ego. Faz exatamente uma semana que não consigo fazer outra coisa a não ser ler sobre o SPFC, ver entrevistas com os jogadores e sair com a camisa, orgulhoso para o trabalho. Ser campeão, vencer, transforma pessoas em personagens, eterniza narrativas, desperta a criatividade e faz história.

Luciano Ressucita, Cotia Campeã, KingNaldo

Lobo Benítez, Profeta, Capitão Miranda e Good Crazy — maior campeão de todos!

Já chorei demais — Jhonny Maick + Xandy Avião

O Campeão Voltou!

Ps 1: Eu tinha comigo que isso aconteceria quando eu tivesse um filho. Aconteceu.

Chico Pé Quente!! Campeão com 4 meses de barriga. Jajá estaremos juntos no Morumbi!

Ps2: Para a tranquilidade de todos os supersticiosos, firmei um pacto com meu sobrinho também! Estaremos juntos em todas as finais daqui para frente.

Ps3: Homenagem aos meus parceiros tricolores e de estádio João Mellão, Caio Carvalho, meu sobrinho que amo tanto — Antonio e ao Jean Clodão que me fez tricolor desde pequenininho!!

Obrigado Dios!

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