Tem dia que é Noite
Um amigo empreendedor diz que tocar uma empresa é como o filme do Titanic: um dia você está na ponta do navio, de braços abertos, gritando aos mares “Sou o Rei do Mundo”; no outro, é “Cadê as bóias, Rose? Tamo afundando”.
Também é verdade que a vida é frágil demais, e a gente quase nunca para para refletir sobre isso. De repente, alguém que você ama aparece com alguma coisa. Essa coisa leva ao hospital, a uma internação, a uma UTI. Assim, do nada.
Vai jogar bola? O cara se machuca. Gira o joelho, rompe o ligamento. Oito meses fora, na fisioterapia.
Vai jogar tênis? Toma pau de alguém que tira o peso da bola e não sabe sacar.
É chuva de canivete.
Essa energia da coisa ruim, quando vem, parece que pega a gente de tudo quanto é lado. Raramente é só na beiradinha.
Nessa hora, fazer o quê?
“Tudo passa.”
Simples assim.
Se entendermos a profundidade disso, ganhamos força, esperança, resiliência e disciplina. A gente dorme (ou tenta), acorda, toma banho, faz a barba, arruma o cabelo e vai pra rua de novo.
É ruim comparar os nossos problemas com os dos outros. Mas, às vezes, acho que Deus deixa a gente enxergar situações muito piores do que as nossas para reorganizar a cabeça, agradecer o ar que respiramos, a comida na mesa, a casinha onde dormimos e a família que temos.
Tem dia que é noite.
E tem noite que vira dia.
Vai passar.
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1597 — 08/05/2026, p. 2. Ver a edição (PDF).
Uma crônica por semana, direto no seu WhatsApp. Sem spam, sem pressa.
Seguir o canal