Insano
Tem um toboágua famoso em Fortaleza por ter mais de 40 metros de altura. O motorista que me levou do aeroporto para o hotel me contou que o paulista, quando tira férias, fica doido. Disse que levou um grupo de turistas três dias seguidos ao parque para competirem quem conseguia ir mais vezes no toboágua. Segundo ele, um foi 11 vezes num dia e só parou porque já não tinha mais pernas para subir.
“Égua”, dizia ele, encucado. “Esse povo trabalha demais em São Paulo.”
E continuou...
"Uma vez, quando eu era mais jovem, tive a chance de ir a esse parque. O pessoal do trabalho ia me aperrear se eu não descesse aquilo. Eu era mais gordinho e, para tomar coragem, fiz foi tomar um litro e meio de vinho fulero escondido no banheiro. Fiquei calibrado. E daí fui logo em tudo."
"Rapaz, sabe que tenho uma prima que mora em São Paulo, do lado rico da família. Mas o marido dela é empresário e montou seis quartos para os funcionários dele morarem. Eles trabalham até sábado e, no domingo, réi tem que ver a mesma cara do povo depois de uma semana inteira naquela lida."
"Aqui eu trabalho muito também. São 11 horas no Uber. Mas ainda dá tempo de pegar minha filha pequena e curtir a praia com ela. Ganho menos, mas sinto que aquela vida não é para mim."
Quanta sabedoria tem aí. Porque 11 horas por dia não é pouco, não. Mas ter algumas horas livres que não sejam no trânsito nem no frenesi da cidade grande também é saber viver.
Como está a sua relação entre trabalho e tempo livre?
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1595 — 24/04/2026, p. 2. Ver a edição (PDF).
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