Leopoldo JereissatiFala Man

10 abr 2026 · 1 min de leitura · Jornal da Cidade

Viva como se estivesse dançando

A gente planeja a vida como quem tenta desenhar uma linha reta.

Mas viver quase nunca obedece à régua.

Quem vive só no agora sente mais o instante.

Quem vive olhando a linha do tempo está sempre a caminho.

Um corre o risco de se perder.

O outro, de nunca chegar de verdade no momento em que está.

Talvez o erro esteja em achar que viver bem é escolher entre uma coisa e outra. Não é.

É saber para onde se quer ir, sem sair correndo daquilo que está acontecendo agora.

É ter desejo de futuro, mas não transformar o presente em simples espera.

É entender que a vida não é obra pronta.

É dança.

No fundo, planejar demais também pode ser um jeito elegante de tentar fugir da incerteza.

Como se organizar tudo por dentro pudesse impedir o improviso do lado de fora.

Mas a vida sempre encontra uma fresta.

Ela muda o ritmo, desloca as certezas, troca algumas pessoas de lugar.

E, sem pedir licença, nos obriga a aprender passos que nunca ensaiamos.

Talvez por isso tanta gente viva cansada.

Não por falta de direção, mas por excesso de controle.

Viver pede atenção, mas também pede entrega.

Porque ninguém atravessa o tempo inteiro de punhos fechados.

Em algum momento, é preciso confiar no corpo, ouvir a música e aceitar que nem tudo precisa ser previsto para fazer sentido.

No fim, talvez viver seja isso: ter algum plano, mas deixar espaço para a música.

Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1593 — 10/04/2026, p. 2. Ver a edição (PDF).