As Abelhas e o Pé de Manjericão
No meu escritório em São Paulo, coloquei uma jaboticabeira em um vaso. Raramente dava frutos. Lagartas, todavia, faziam das folhas seu banquete.
Ao lado, no muro, plantamos um pé de manjericão. Este rapidamente se adaptou ao ambiente e começou a crescer muito rápido.
À medida que floriu, chegaram as abelhas, que foram aumentando em número e, assim como nós paulistas, trabalharam em um ritmo insano entre 8h30 e 17h30, sem parar.
Em poucos meses, a jaboticabeira começou a dar frutos mais vezes e aquelas lagartas que mal conseguíamos ver viraram borboletas e permaneceram por aqui.
Passarinhos vêm tomar água e se banhar todos os dias. Não parece que estamos na selva de pedra chamada São Paulo.
Passadas as férias, a jaboticabeira estava sem nenhuma folha. Podaram demais o pé de manjericão. As abelhas se foram, também se foram as lagartas. Um grande vazio chegou aqui.
Na necessidade e no inconformismo, na minha inquietação, fui entender como reviver a jaboticabeira, expandir o pé de manjericão e resgatar a saúde do ecossistema da casinha da agência.
Veja. Comecei por tentar entender eu e a natureza e terminei entendendo que somos a natureza. Basta plantar e perceber.
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1588 — 06/03/2026, p. 2. Ver a edição (PDF).
Uma crônica por semana, direto no seu WhatsApp. Sem spam, sem pressa.
Seguir o canal