O Presépio e o Alpiste
Todo ano, no Natal, minha mãe monta o presépio em cima do piano da casa dela.
São vários bonequinhos bordados em lã, imóveis, à espera da chegada do Menino Jesus.
Mas este ano algo mudou. De repente, ela se lembrou de uma tradição esquecida: quando eram pequenas, meu avô plantava alpiste em uma cama de terra para criar o matinho onde o presépio descansava.
E o que está sendo incrível?
Minha mãe, minha tia e minhas primas revivendo lembranças deliciosas da infância, como se alguém tivesse apertado play em uma memória adormecida.
Ela, eu e seus netos, juntos, literalmente com as mãos na terra, plantando e regando. Uma coreografia simples, mas cheia de afeto.
O filme se repetindo, só que agora em outra geração. Aquilo que era só lembrança dela, agora também é nossa.
Ver o alpiste crescendo tão rápido, a natureza se revelando diante dos nossos olhos a cada novo dia, como se o Natal nos lembrasse que a vida insiste em brotar.
Talvez a gente tenha exagerado na quantidade este ano. Talvez o piano esteja mais para floresta amazônica do que para Belém. Mas que está divertidíssimo, isso está.
Porque, no fim das contas, o Natal é isso: tempo de semear. Tempo de cura. De perdão. É o coração passando na frente da razão e ganhando.
Se você ainda não entrou nessa #trend, aproveita: ainda dá tempo de plantar alguma coisa. Mesmo que seja uma lembrança.
Se plantar com a sua família, manda foto aqui para o Jornal! Se Holambra é a potência em flores, mal posso imaginar o que farão por aí =)
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1575 — 28/11/2025, p. 2. Ver a edição (PDF).
Uma crônica por semana, direto no seu WhatsApp. Sem spam, sem pressa.
Seguir o canal