Dindo, 83
Meu Dindo fez 83 anos no dia 12 de outubro, lá em Mirassol, cidade do time que vem brilhando na Série A deste Brasileirão.
No grupo da família, chegou um vídeo dos parabéns dele. Mesma casa, mesma mesa de madeira, mesmo Dindo e Dinda lado a lado, mesmo espelho retangular atrás na cena. Parece que nada mudou ao longo das décadas, exceto uma coisinha: ao lado deles estavam os filhos dos nossos primos: um já com mais de 1,80m, e outra ajeitando os cabelos longos com um sorriso de moça.
Ao ver aquela cena, me passou um filme rápido: quantas coisas belas já vivemos juntos na casa do Tio Ivan, naquela varanda de fora, naquela salinha de TV. A final da Copa do Mundo de 1994 é a mais antiga de que me lembro. Os incontáveis almoços fartos e despretensiosos, os aniversários infantis e juvenis no fundo da casa, as noites dormidas com os primos, as cervejinhas infinitas, salgadinhos, lasanhas e refrigerantes... fora o famoso brigadeiro da Tia Pituca.
E o Dindo sempre ali. Eu o visito na minha mente incontáveis vezes por ano. Vejo aquele sorriso largo no rosto e a voz alta que invade os cômodos. Homem inteligente, self-made, agrônomo da ESALQ, atento à política e aos políticos, não perde um detalhe; como um mestre que observa o menor movimento na lagoa. “Be water”, penso eu. Na família, ele é a maior referência.
— Dindo, como é que é fazer 83 anos?
— Olha, filho, não pode ficar pensando muito não... tem que ir tocando... sempre sábio e bem--humorado...
Semana que vem estaremos juntos mais uma vez. E como eu gosto de estar com ele...
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1569 — 17/10/2025, p. 2. Ver a edição (PDF).
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