Aproveita a paisagem que um dia a viagem termina
A vida corre como estrada sem acostamento. Muitas vezes a gente acelera tanto que esquece de olhar pela janela. O trabalho, as urgências, os planos futuros. Tudo vira paisagem borrada, como se o presente fosse apenas um trecho a ser ultrapassado.
Mas é no detalhe esquecido que mora a beleza. No pôr do sol visto do retrovisor. No riso distraído de uma criança no banco de trás. No silêncio raro entre uma mensagem e outra.
A viagem não é infinita. Um dia ela acaba. E não importa o destino, o que ficará gravado na memória é o quanto a gente soube aproveitar em cada curva, cada parada inesperada, cada vista que se abriu sem aviso.
Talvez o segredo seja esse: não viver apenas para chegar, mas aprender a frear, respirar e deixar que a paisagem nos atravesse. Porque, quando a viagem terminar, é dela que vamos sentir saudade. E lembre-se do detalhe mais importante: escolha bem quem vai fazer essa viagem contigo, quem deve continuar fazendo e quem deve descer na próxima parada.
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1567 — 03/10/2025, p. 2. Ver a edição (PDF).
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