Saúde e Paz
O Leo de 10 anos de idade mal lia o cartão “De: / Para:” colado no pacote. Só queria saber do presente dentro da caixa. Brinquedo ou roupa? Essa era a única pergunta que realmente importava, porque definia se eu me animava ou não.
O Leo de 20 achava tudo isso muito careta. Negócio de desejar saúde e paz para os outros? Besteira. Saúde a gente esbanjava e paz era a última coisa que eu queria na faculdade... era farra, pinga e foguete.
O Leo de 30 começa a entender a importância do cartão. Dá mais valor à mensagem do que ao presente dentro da caixa. O “De:” passa a ser significativo.
O Leo de 40 olha para os avós e eles já não estão mais ali. Então olha para os pais e só deseja saúde para eles. Para que possam estar bem física e mentalmente. Para que continuem a jogar o pó de estrela na vida dos netos por muitos anos. O Leo de 40, ao ver um filho arder em febre, gostaria de poder trocar de lugar, mas não dá. O Leo de 40 aprende a aceitar que algumas coisas são simplesmente inerentes à vida.
“Saúde e Paz, o resto a gente corre atrás” sempre me pareceu frase de placa de churrasqueira, souvenir de beira de estrada, chaveiro de posto. Mas hoje, entendo: se frases como essas atravessam o tempo, é porque carregam algo essencial.
Talvez seja isso que os ditados populares nos ensinam. São pequenas cápsulas de sabedoria que sobrevivem às décadas porque falam do que realmente importa.
E no fim, por mais ambiciosos, inquietos ou sonhadores que sejamos, tudo se resume a poder brindar com quem amamos desejando simplesmente:
Saúde e Paz.
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1564 — 12/09/2025, p. 2. Ver a edição (PDF).
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