Geração Privilegiada
Em fevereiro faço 40 anos. E, em meio a essa loucura digital que nos engole, me peguei pensando: quanta coisa minha avó viveu com seus quase 100 anos entre 1927 e 2025?
Pense numa imagem aérea da região daquela época e compare com uma atual. Pense numa fotografia revelada, com cheiro de papel, e hoje… mal imprimimos qualquer coisa.
Minha geração talvez tenha sido a última a crescer num mundo verdadeiramente híbrido, entre as belezas e as dores do universo analógico e as promessas (e excessos) do digital.
E aí me dei conta: há um certo privilégio nisso.
Somos poucos, proporcionalmente, os que conseguem, por livre escolha, transitar entre o online e o offline.
Sim, ainda é possível se desconectar. E só quem já viveu sem Wi-Fi sabe o valor disso. Sim, também é possível se conectar e ampliar nossa potência para além do humano, com ChatGPTs na palma da mão.
Talvez sejamos essa geração de fronteira. A que busca o equilíbrio. A que entende que há vida fora da tela mas que também há potência dentro dela.
E, por isso, temos uma missão: A de lembrar aos que ainda resistem a se conectar que o futuro chegou e de mostrar aos que andam de pescoço abaixado que o presente também existe e ele pede presença.
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1559 — 08/08/2025, p. 2. Ver a edição (PDF).
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