Leopoldo JereissatiFala Man

14 mar 2025 · 1 min de leitura · Jornal da Cidade

Máquina do Tempo

Em 1950, Isaac Asimov escrevia Eu, Robô e criava um dilema: um político acusado de ser um androide precisa provar que é humano. O teste? Um simples soco em outra pessoa. Se ele bater, está salvo. Se hesitar, está condenado, pois uma das leis que um robô tinha que respeitar era a de nunca agredir fisicamente um homo sapiens. No fim, ele dá o soco. Caso encerrado. Mas havia um detalhe: quem levou o golpe não era humano, era outro robô. Um truque dentro do truque. A humanidade, naquela época, ainda precisava dessas garantias.

Agora, 2025. O nome do suspeito mudou. Ele se chama ChatGPT, Grok3, DeepSeek. O público pede uma prova. “Escreva como um humano! Mostre que você pensa! Erre de um jeito convincente!” E a IA, esperta, dá o soco. Faz piadas, inventa metáforas, escreve crônicas. E aí? Já podemos chamá-la de humana?

A grande ironia é que os robôs de Asimov eram limitados por três leis. As inteligências de agora são treinadas sem quase nenhuma. Elas aprendem, se adaptam,

disfarçam. E a pergunta que parecia ficção vira realidade: se um robô age como humano, interage como humano e convence como humano, qual é, de fato, a diferença?

Em 1950, Stephen Byerley seguiu sua vida sem precisar responder. Em 2025, talvez a resposta já nem importe mais.

Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1538 — 14/03/2025, p. 2. Ver a edição (PDF).