Shhhhh... Shhhhh... Cri... Cri...
Na varanda da casinha no sítio, perto das 13h no sábado, começo a ouvir um barulho que remete ao som de um riacho distante, correndo pela Borda da Mata.
Me aproximo para tentar compreender e penso: -- Será que o riachinho que passava por aqui na minha infância voltou a encher?
Olho para o céu e vejo a chuva se aproximando, o som aumentando e uma grande trovoada encharca tudo de uma só vez.
O cheiro da terra molhada é um convite ao momento presente. Como se a vida me reconectasse ao seu sentido ao me desconectar de tudo.
-- Papai, acha um grilo "pá mim"?
Passada a chuva, pego meu filho pelas mãos e saio molhando as botinas e a barra da calça pelo capim mais alto atrás do bendito.
Ao final do passeio, não achamos grilo nenhum... nem mesmo os que na minha cabeça estavam.
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1522 — 08/11/2024, p. 2. Ver a edição (PDF).
Uma crônica por semana, direto no seu WhatsApp. Sem spam, sem pressa.
Seguir o canal