O Leiteiro
Quando pequeno, a carroça carregada de latões prateados, passava em frente ao portão da minha avó, trazendo leite fresco.
Quando ela o fervia, a nata ficava toda por cima, amarelada e boiando. Torcíamos para que não caísse um pouco dela em nossas xícaras; meio que estragava o gosto do achocolatado no café da manhã. Da nata saíam biscoitos e manteiga. Vez em quando fazíam queijo também acompanhado de pão caseiro.
Hoje em dia os Leiteiros não passam mais.
No mercado encontramos os mais diversos tipos nas gôndolas: A1, A2, de caixinha e de saquinho.
O que não encontramos mais é aquele sabor. Sabor do leite ou da infância?
Conversando com um Leiteiro aposentado essa semana, ele me contou que antigamente separava a mesma vaquinha para servir clientes com algum tipo de alergia.
" — Só podiam tomar daquela, todos os dias. Dava um trabalhão e uma satisfação enorme ver aquela "piazada" crescendo com saúde."
Me pergunto diversas vezes porque andamos acelerando tanto as coisas em tudo. Será que está valendo a pena?
Publicada no Jornal da Cidade de Holambra, edição 1491 — 05/04/2024, p. 2. Ver a edição (PDF). Publicada originalmente no Medium. Ver no Medium.
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